Universo do Fisiculturismo: Ramon Dino vence categoria Classic Physique

Ramon Dino

No universo do fisiculturismo, poucas conquistas têm o peso simbólico do título de Mr. Olympia.

É a consolidação máxima de anos de esforço, disciplina, superações e performance impecável no palco.

Quando um atleta já vinha traçando uma trajetória de ascensão e acumulando resultados expressivos, conquistar esse título representa um momento definitivo — ruptura de paradigmas, coroamento de dedicação e fonte de inspiração.

É exatamente nesse contexto que o nome de Ramon Dino se destaca: ao se tornar campeão da categoria Classic Physique no Mr. Olympia 2025, ele escreveu um capítulo histórico para o esporte brasileiro.

Veja sua trajetória, os desafios enfrentados, os fatores que o elevaram até o topo e o significado desse título para ele, para o Brasil e para o fisiculturismo como um todo.

Quem é Ramon Dino?

Ramon Rocha Queiroz, mais conhecido como Ramon Dino ou “O Dinossauro do Acre”, nasceu em 9 de fevereiro de 1995, em Rio Branco, estado do Acre (Brasil).

Desde jovem, já chamava atenção por ter uma estrutura física promissora; aos 14 anos iniciou treinos de musculação e calistenia, mesmo com limitações de recursos.

No início, Ramon teve que improvisar e treinar com recursos restritos. Em sua cidade natal, havia poucas oportunidades estruturadas — por isso, ele usava maneiras criativas de treinar e buscou orientação com professores de musculação quando possível.

Aos 21 anos, em 2016, fez sua estreia em competições regionais como atleta júnior, já conquistando títulos locais.

O grande salto veio em 2018, quando Ramon participou do Mr. Olympia Brasil (versão nacional do evento), conquistou o título na categoria Classic Physique (a que ele compete), e, com essa vitória, obteve seu “pro card” para competir profissionalmente.

A partir daí, passou a almejar o cenário internacional e a competir nos palcos mais elevados do fisiculturismo.

Ramon se caracteriza por seu físico equilibrado, pela harmonia nas proporções e pela estética clássica — requisitos fundamentais da categoria Classic Physique, em que os atletas têm limites máximos de peso proporcionais à altura, de modo a privilegiar simetria, definição e elegância, mais do que o puro volume.

Trajetória competitiva até o topo

Ramon-Dino

Depois de vencer o Olympia Brasil em 2018 e conquistar o pro card, Ramon enfrentou o desafio de construir relevância no cenário internacional. Em 2021, fez sua estreia no Mr. Olympia — já dentro da seleta categoria Classic Physique — e terminou na quinta posição.

Pouco depois, ao vencer o Expo Super Show, garantiu vaga para a edição de 2022.

Em dezembro de 2022, Ramon chegou como vice-campeão do Mr. Olympia Classic Physique, um salto impressionante frente à estreia de 2021.

No ano seguinte, 2023, venceu o prestigiado Arnold Classic Ohio (evento de peso no mundo do fisiculturismo) e repetiu a boa performance no Olympia, terminando outra vez como vice-campeão.

No Mr. Olympia 2024, Ramon teve um desempenho abaixo do que muitos esperavam: ficou em 4º lugar na Classic Physique. Diversos fatores foram apontados para essa queda momentânea — desde eventuais erros na preparação (“peak week”), até a altíssima competitividade da categoria.

Além disso, o grande rival da categoria, Chris Bumstead (Cbum), venceu seu sexto título consecutivo em 2024 e anunciou sua aposentadoria do Olympia, deixando uma lacuna de domínio a ser preenchida.

Muitos já vislumbravam Ramon como o sucessor que poderia romper com a hegemonia de Cbum, ainda que a amizade e o respeito entre os dois fosse evidente, com treinos e interações públicos demonstrando cordialidade entre atletas de alto nível.

A consagração: Mr. Olympia 2025

Ramon-Dino

Em 2025, Ramon Dino finalmente alcançou o ápice da carreira ao conquistar o título de Mr. Olympia Classic Physique. Segundo a Wikipédia em inglês, em 2025 ele derrotou Hadi Choopan e assumiu o degrau mais alto no Olympia Classic Physique.

Essa vitória não foi apenas um troféu a mais: representou a superação de muitos obstáculos, a culminância de uma trajetória de altos e baixos, e a afirmação de que atletas brasileiros têm competência para brilhar nos maiores palcos do fisiculturismo mundial.

Embora ainda haja poucas matérias detalhadas (ao menos até agora) sobre os bastidores específicos da competição de 2025, é possível imaginar o quão intensa e minuciosa deve ter sido sua preparação: ajustes finais no condicionamento, pose, riscas (“striation”), simetria, definição, controle de peso e presença de palco.

No fisiculturismo, vencer não é apenas ter músculos grandes — é apresentar o pacote completo num momento preciso.

Fatores que contribuíram para a vitória

Vencer um Mr. Olympia exige mais que musculatura: exige estratégia, consistência e mental forte. No caso de Ramon Dino, alguns fatores se destacam:

Evolução constante e persistência

A trajetória dele mostra progressos graduais e uma constância impressionante: de 5º em 2021, para 2º em 2022 e 2023, e 4º em 2024, até o título em 2025. Esse percurso demonstra que ele aprendeu com cada experiência, ajustou o que precisava ser ajustado e manteve a ambição viva.

Capacidade de lidar com adversidades e pressão

Ser fisiculturista de elite envolve lidar com imprevistos — ajustes finos na dieta, no descanso, no preparo de palco, e até em fatores externos (como problema de tinta, sudorese no palco etc.).

Em 2024, Ramon teve uma experiência delicada no palco: por exemplo, a tinta começou a escorrer devido ao suor, o que prejudicou a apresentação. Isso ilustra como até detalhes pequenos podem interferir no resultado final.

Ajustar-se a essas variáveis exige controle mental, maturidade e planejamento.

Apoio técnico, patrocínio e estrutura

Para competir no mais alto nível, é necessário uma estrutura: treinadores qualificados, nutrição especializada, suplementação, fisioterapia, recuperação, apoio logístico etc. Ramon soube conquistar apoio e patrocinadores, como a marca Max Titanium.

Também participou de projetos no meio fitness (por exemplo Mansão Maromba) que ajudaram a ampliar sua visibilidade e estruturar sua carreira.

Uso inteligente das redes sociais e marketing pessoal

Ramon Dino também se destacou ao usar suas redes sociais com estratégia, mostrar sua rotina, transformações, atualizar seu “shape” (o estado físico conforme se aproxima a competição) e interagir com o público. Por exemplo, em agosto de 2025, ele postou uma atualização de físico a 8 semanas do Mr. Olympia que impressionou fãs — uma forma de gerar expectativa e engajamento.

Esse tipo de presença digital ajuda a consolidar sua imagem como atleta de elite, atrair apoiadores, inspirar seguidores e manter relevância permanente — algo muito valorizado no esporte moderno.

O vácuo deixado por Chris Bumstead

Chris Bumstead, apelidado “Cbum”, dominou por anos a categoria Classic Physique no Mr. Olympia, com seis títulos consecutivos até 2024.

Com o anúncio da aposentadoria dele (ao menos no Olympia), abriu-se uma chance para que novos nomes disputassem o topo sem ter que “derrubar o invencível” diretamente. Ramon, que já vinha colidindo com a hegemonia de Cbum, estava pronto para aproveitar esse momento de transição.

Ainda assim, vencer não foi mera consequência de ausência do adversário: Ramon precisou mostrar que tinha tudo pronto para ocupar esse lugar.

Significado da conquista


Para Ramon Dino

Para ele, esse título é a validação suprema do seu percurso. Todos os treinamentos, sacrifícios, quedas e recomeços culminaram nesse momento. É não apenas um título, mas o reconhecimento mundial de que ele fez tudo certo quando muitos duvidaram ou subestimaram. Além disso, passa a carregar o legado de representar o Brasil no mais alto patamar do fisiculturismo.

Para o Brasil

Ramon Dino se torna um símbolo de que atletas brasileiros podem competir no topo global, em esportes onde historicamente o peso simbólico e estrutural costuma favorecer nações com longa tradição no fisiculturismo.

Ver um compatriota conquistar um Mr. Olympia inspira gerações, atrai atenção para o esporte no país, estimula meios de apoio (academias, patrocínios, mídia) e mostra que é possível alcançar o ápice partindo de origem modesta, com talento e persistência.

Para o fisiculturismo

A vitória de Ramon Dino reforça que o Classic Physique segue forte como categoria de destaque — que preza por estética, simetria e harmonia, em oposição ao excesso de massa muscular.

Também contribui para diversificar historicamente o panorama de vencedores do Mr. Olympia (muitas vezes dominado por atletas de países como EUA, Canadá etc.). Isso mostra que o esporte é global, e que talentos emergem de regiões menos tradicionais.

Além disso, abre um novo capítulo competitivo: novas rivalidades surgem, novos atletas são motivados e o padrão de excelência é elevado. Ramon agora é referência para competir — não apenas pelo que fez, mas pelo que representa.

Desafios futuros e perspectiva

Ganhar o título é monumental, mas mantê-lo ou defendê-lo exige ainda mais — o “reinado” é frequentemente mais desafiador do que conquistar. Ramon terá de:

Aprimorar ainda mais o físico — embora já campeão, os rivais seguirão evoluindo. Ele precisará buscar ajustes finos em densidade, densidade muscular, detalhes de músculo menor, condicionamento, vascularização etc.

Gerenciar a pressão de ser campeão — expectativas dobram. Cada apresentação será interpretada pelo público e pelos juízes à lupa.

Inovar em estratégia de preparação — variar táticas de “peak week”, ajustes nutricionais, controle de peso, descanso e recuperação serão cruciais.

Inspirar e manter relevância — como campeão, parte de sua missão será elevar o esporte no Brasil, fomentar futuras gerações, atrair mídia e mostrar que o caminho é possível.

Lidar com novas rivalidades — surgirão adversários motivados a tomar seu lugar, e ele deverá estar sempre um passo à frente.

Até aqui, Ramon já demonstrou resiliência e capacidade de adaptação. Com 30 anos em 2025, ele ainda está em idade competitiva para manter alto nível por alguns anos.

FAQ: Perguntas e respostas frequentes sobre Mr. Olympia Classic Physique 2025

O que é a categoria Classic Physique no Mr. Olympia?

É uma divisão de fisiculturismo que prioriza proporção, simetria e estética clássica, com limites de peso relativos à altura do atleta — busca um físico mais artístico e equilibrado em comparação à divisão “Open”.

Quando e onde será realizado o Mr. Olympia 2025?

O evento ocorrerá de 9 a 12 de outubro de 2025, no Resorts World Las Vegas e no Las Vegas Convention Center, em Las Vegas, EUA.

Quem venceu o Classic Physique em 2025?

O campeão foi Ramon Rocha Queiroz (conhecido como “Ramon Dino”) na categoria Classic Physique.

Quem foram os finalistas mais destacados?

Os principais colocados foram:
1º – Ramon Dino
2º – Mike Sommerfeld
3º – Terrence Ruffin

Qual era o cenário antes do campeão de 2025?

Até 2024, Chris Bumstead havia conquistado seis títulos consecutivos em Classic Physique. Em 2025, ele aposentou-se da competição.

Como funciona o processo de qualificação para competir no Olympia?

Os atletas precisam acumular pontos ou vencer eventos qualificatórios na série IFBB/Pro – os melhores classificados garantem vaga no Olympia.

Onde posso assistir ao evento online?

O Mr. Olympia 2025 será transmitido via Pay-Per-View pela plataforma oficial (Olympia Productions / OlympiaTV).

Há hospedagens e hotéis oficiais para os participantes e público?

Sim — o hotel oficial vinculado ao evento é o Resorts World Las Vegas (incluindo hotéis Conrad e Hilton afiliados), com tarifas especiais negociadas para quem for ao evento.

Crianças precisam de ingresso?

Crianças com 2 anos ou menos não precisam de ingresso, desde que permaneçam no colo de um responsável.

O que mudou na divisão Classic Physique para 2025?

Com a aposentadoria de Chris Bumstead, abriu-se o caminho para um novo campeão — aumentando a expectativa e a disputa entre atletas na divisão.

Considerações finais

A conquista de Ramon Dino como campeão do Mr. Olympia Classic Physique 2025 transcende o mérito individual. É o triunfo de uma trajetória marcada por superação, planejamento, constância e coragem. Ele rompeu uma barreira simbólica para o Brasil e estabeleceu um novo patamar de sonho para aspirantes ao fisiculturismo nacional.

Mais do que músculos, é um símbolo de que paixão + estratégia + sacrifício podem levar alguém das margens de uma cidade do interior — com recursos limitados — ao topo do mundo. Ramon Dino agora entra para a história não apenas como mais um campeão, mas como um marco de inspiração e prova viva de que é possível.

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